As Safras Bordalesas de 2000 a 2010 de rmalago em Qual Vinho.com.br

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de rmalago publicado em Qual Vinho.com.br

Caros Amigos,

Continuando em nossa direção mais educativa e informativa, venho falar de um assunto que é muito explorado em diversos sites com as tabelas e também naquelas que muitos de nós carregamos na carteira. As safras da região de Bordeaux.

Tentarei ir um pouco além do que as tabelas falam e descrever um pouco melhor as safras começando pelas safras de 2000 a 2011 e espero poder ajudá-lo na escolha do seu próximo vinho.

2000: o ano de 2000 começou normalmente, mas estranhamente os meses de Abril e Maio foram marcados por muito calor e humidade o que gerou muito míldio. Em Junho se viram os extremos da natureza com frio e humidade no começo e calor e seca no final. Julho começou bem frio, mas, da última semana até o fim da colheita o tempo bom e céu azul pairou sobre Bordeaux e esta foi a primeira vez desde 1990 que não choveu durante as colheitas. Médoc, Graves e St. Emilion se saíram muito bem enquanto Sauternes e Barsac não dividiram o mesmo sucesso.

2001: uma safra que começou quente e que nas duas primeiras semanas  de Fevereiro você já observava os frutos querendo saltar para fora e algumas folhas já nasciam das videiras, mas, nas duas últimas semanas o frio chegou e fez com que as videiras se acalmassem e deixou para o março o florescimento dos frutos. A primavera e o verão foram muito agradáveis e com certa perfeição até as últimas semanas de julho onde o frio e as chuvas prevaleceram e um mês de Agosto de muitas oscilações. Setembro foi um pouco frio, mas os frutos tiveram bom desenvolvimento e começaram a ser colhidos entrando pelo mês de Outubro. Ótimos vinhos provenientes de Sauternes e Barsac. Pomerol e St. Emilion com bons vinhos.

2002: o ano de 2002 começou com um frio e seco inverno que estranhamente puxou as temperaturas frias para a primavera e causou assim um atraso no florescimento dos frutos. Um chuvoso e frio mês de Maio teve alguns picos de calor o que causou um errôneo processo no florescimento e desenvolvimento dos frutos podendo assim causar amadurecimento não uniforme dos frutos e muita seleção na colheita. Mas como sempre acontece em Bordeaux o mês de Setembro e seu perfeito tempo ajudou muito no desenvolvimento das videiras que tiveram bons cuidados durante o estendido mau tempo. As uvas que ficaram mais tempo aproveitando o excelente Setembro tiveram mais sucesso (Cabernet Sauvignon e Franc) enquanto para o Merlot não foi um ótimo momento. Sauternes e Barsac sofreram com a falta de água e não produziram vinhos excelentes. A acidez alta desta safra ajudou muito os brancos que tiveram uma colheita mais tardia e com níveis ótimos de acidez. Nenhuma região teve grande destaque nesta safra.

2003: a safra começou muito bem com um inverno com bastante frio e muitas chuvas o que permitiu reserva de água no solo, mas, em Março altas temperaturas atingiram a região o que fez as vinhas sofrerem grande stress e reduziu muito a quantidade de frutos, e ainda prevaleceu o crescimento precoce das frutas. Com os frutos já tão desenvolvidos o medo das geadas em Abril se tornou realidade e alguns casos foram reportados de congelamento das vinhas. Maio foi configurado por diversas tempestades e o verão chegou com tudo em temperaturas de 40 graus o que causou mais stress nas vinhas e fez com que a quantidade de frutos fosse reduzidíssima. A colheita foi uma das mais precoces da história. A acidez que esteve muito baixa foi salva na fermentação, mas, em alguns casos as cascas das uvas que “assaram” nas altas temperaturas produzem taninos indesejáveis em alguns vinhos. O médoc produziu excelentes vinhos assim como Sauternes e Barsac

2004: uma safra que não teve grandes excitações e mistério. Temperaturas baixas no mês de Março fizeram o florescimento dos frutos serem muito tardio, porém, diferentemente de 2003 a grande quantidade de frutos exigiu cuidado por parte dos produtores. Julho e Agosto também foram decepcionantes mas as altas temperaturas e seca vieram a tempo para ajudar na colheita que produziram vinhos com grandes taninos e alto teor alcoólico. O Merlot conseguiu amadurecer em melhores condições que o Cabernet Sauvignon e a qualidade das uvas no mesmo cacho variava muito. Uma safra mais clássica e comedida. Nenhuma região teve grande destaque nesta safra.

2005: uma safra histórica que foi chamada por muitos a safra da década, não fosse 2009 e 2010 brigarem por estes títulos. A safra de foi perfeita em muitos sentidos, quando falamos de chuvas pode se considerar um ano seco com baixo índice pluviométrico, mas, as chuvas vieram sempre no tempo certo para não estressar as vinhas. Somente Junho e Outubro viram altas temperaturas, mas em geral a temperatura média ficou um pouco acima da ideal. Esta mistura de chuvas e calor perfeitos gerou frutos de ótima qualidade e as chuvas fracas no final da temporada gerou perfeita Botrytis para Sauternes. Todas as regiões produziram excelentes vinhos com destaque para St. Emilion, Margaux e Sauternes / Barsac.

2006: a safra começou com poucas chuvas e temperaturas que não foram tão baixas quanto as esperadas. Demorou muito para que uma chuva caísse para reestabelecer os níveis de hidratação do solo e isto fez com que o florescimento acontecesse somente no começo de Abril. Os níveis de frutos já estavam menores devido à seca e uma severa geada em Abril fez com que estes níveis diminuíssem ainda mais. Maio, Junho e Julho foram marcados por temperaturas altas mas um molhado e frio agosto fez com que o apodrecimento de alguns frutos se tornasse realidade. Diversas falhas naturais fizeram com que muitas das uvas não amadurecessem de forma igual o que gerou problemas principalmente para o Merlot. Apesar do Merlot não ter reagido muito bem Pomerol produziu bons vinhos.

2007: uma safra estranha e bem irregular com um “quente” inverno onde as temperaturas mal atingiram zero gerou um florescimento dos frutos muito precoce, mas que acabou sendo de grande valia já que os meses frios e chuvosos de julho, agosto e setembro favoreceram o desenvolvimento de fungos como oídio e míldio, e este florescimento precoce deu mais tempo para as uvas amadurecerem. Finalmente veio um setembro e outubro perfeitos, mas, com uma colheita tardia que chegou a durar até a terceira semana de Outubro. Ótima safra para Sauternes e Barsac.

2008: uma safra muito parecida com 2007 no que se diz à dificuldade e irregularidade do clima. O florescimento foi muito irregular, e as geadas de 2007 causaram danos as vinhas o que gerou baixas quantidades de frutos. As irregulares temperaturas em Julho e Agosto também afetaram e a colheita verde foi necessária para remover frutos não satisfatórios, o que causou ainda maior diminuição da quantidade de frutos. Mais uma vez o calor de Setembro e Outubro foi o que salvou as vinhas e o esforço feito em 2008 gerou vinhos de melhor qualidade que 2007. Pomerol produziu vinhos excelentes enquanto Sauternes e Barsac não tiveram muito sucesso.

2009: sem muito que dizer desta safra. Um perfeito inverno, primavera e verão fez com que os frutos se desenvolvessem da melhor forma possível e que fossem vigorosos e de ótima quantidade. Alguns lugares enfrentaram diversos problemas com chuvas de granizo (que tinham o tamanho de bolas de gude) e o Norte de St. Emilion, Entre-Deux-Mers e os Côtes de Bourg e Blaye sofreram tanto com este fato que alguns Château chegaram a produzir somente 700 caixas de vinho. Durante Setembro e Outubro as temperaturas foram altas e muito secas o que causou em alguns casos, vinhos de grande potencial em açúcar e álcool. Médoc, Margaux, Graves, Pomerol, Sauternes e Barsac são indiscutivelmente ótimos vinhos!

2010: uma safra marcada por diversas mudanças climáticas que levou e um período de floração e florescimento das frutas mais desregulado com certos tipos de uva se beneficiando mais que outros. O verão foi seco, mas sem altas temperaturas levaram à produção de uvas com casca grossa, ricas em cor e tanino e um delicioso sabor. Chuvas que caíram durante o inverno foram o suficiente para deixar o solo hidratado durante este seco verão. Noites bem frias e também um mês de Agosto frio garantiu a preservação de alta acidez nas uvas que casaram muito bem com a textura e o tanino. Vinhos mais clássicos e elegantes, originais Bordeaux. Médoc e Graves são sensacionais! Economizem um pouco para os vinhos do Château Haut Brion, eles estão fora do comum! Confira em  http://www.qualvinho.com.br/?p=274.

2011: aqui já encontramos uma safra de padrões climáticos bem estranhos. Temos que levar em conta também que a região vem de duas ótimas safras e que as esperanças estão lá em cima, assim como o preço. Dezembro 2010 e Janeiro foram meses de muitas chuvas, mas temperaturas de até 15 graus dominaram em Fevereiro e Março, enquanto em Abril e Maio o calor foi muito forte! O florescimento dos frutos começou precocemente em duas a três semanas. Uma forte onda de calor atingiu a região no fim de Junho que deu lugar a um frio e húmido Julho e a um Agosto pantanoso com muitas chuvas e até granizo. Setembro variou muito com chuva e sol e a safra foi em si muito inconsistente. Agora vamos esperar até nossa próxima viagem para as degustações en-primeur da safra de 2011 para que eu possa mandar as notícias fresquinhas!

Santé

RM

Artigo original: As Safras Bordalesas de 2000 a 2010 de rmalago publicado [dia January 24, 2012 at 04:51AM] em .

Republicado por Eno Gastronomo

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