Algumas Razões Para Encarar O Rosé de Expand em ExpandBlog

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O Rosé já teve seu pecado original, com produtos de má qualidade. E, por consequência, as pessoas tinham graves restrições à bebida. Hoje, isso mudou

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A última edução de GULA trouxe espumantes rosés na degustação do mês. De leitores e amigos recebi a pergunta direta: parece que só o champagne e o espumante rosé são bons. E o vinho? Escrevi que tradicionalmente as borbulhas fazem bem ao estilo vivo e jovial desses rosés, talvez deixando a impressão de que são os únicos que valem a pena beber. Não é bem assim e vamos aqui, gole a gole, desvendar algo mais desse vinho que pode ser seu fresco companheiro nos dias abafados.

O rosé já teve seu pecado original, com produtos de má qualidade transformando-o em algo que as pessoas tinham vergonha de pedir no restaurante. Ainda há embaraço diante do sommelier e é comum o homem concordar em bebê-lo só para agradar à mulher (já vi essa cena).

Analisando a excelente carta de vinhos de um grande restaurante de São Paulo, contei 108 vinhos brancos de diversas procedências, mas apenas alguns poucos rótulos de espumantes ou champagnes rosé. Um solitário osé nacional estava lá e, o que é uma lástima, não havia um só da Provence, região francesa que privilegia a produção desses vinhos.

Houve um tempo em que era chique – ou para muitos parecia chique – pedir ou comprar Matheus Rosé. Quantidades imensuráveis chegavam aos portos do Rio e de Santos em meados do século passado e bebia-se esse famoso vinho português como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Fabrizio Fasano, o elegante patriarca da família que virou sinônimo de ótimos restaurantes, conta que no estabelecimento da família em São Paulo na década de 50 o requinte era pedir coquetel de camarão, estrogonofe, crepe Suzette e Matheus Rosé. Rindo, ele acrescenta que se o cidadão estivesse a fim de iniciar um romance, o pedido era tiro e queda!

Praticamente dono do mercado, o velho Matheus Rosé perdeu o rumo décadas depois, quando começaram a surgir outros vinhos em menor escala, processo que se consolidou com a abertura do mercado brasileiro a produtos do mundo inteiro. Mas o consumo ainda é baixo.

O curioso é que esse vinho é perfeito para os dias quentes em nosso país, que ocorrem na maior parte do ano. Então, preconceito de lado e vamos a algumas questões sobre ele.

O vinho rosé é uma mistura de vinhos branco e tinto?

Não, essa é uma prática pouco condizente com os bons costumes vinícolas e é até proibida na França, que abre uma única exceção: para o champagne. Este sim está tornando-se rosé pela mistura dos dois vinhos.

Há uvas específicas para fazer o rosé?

Não, mas naturalmente ela deve ser tinta, já que a cor será dada pelos pigmentos de sua casca.

Então, como é feito esse vinho?

Há dois processos principais. Vamos usar as expressões francesas, já que seus vinicultores, sobretudo da Provence, atingiram estágios mais elevados na arte dessa produção. O primeiro processo chama-se rosé de presse, feito à maneira de um vinho branco, com a diferença de que as uvas são pressionadas e é mantido o contato entre o suco e os pigmentos. A cor desse rosé é menos pronunciada e o produto é fresco e leve. O segundo processo tem o nome de rosé de saignée, o mais utilizado. As uvas são ligeiramente esmagadas para que a película da casca se rompa e o suco comece a pegar cor (é a maceração pelicular). Após algumas horas, o enólogo verifica se a cor está de acordo com o que ele pretende para o seu rosé e retira uma parte do líquido, em torno de 10% do total (é a chamada la saignée). O resto continua em fermentação para virar vinho tinto.

O rosé é para ser bebido sempre jovem?

Sim, essa é uma regra geral. Justamente por ficar pouco tempo em contato com a casca, quase não tem tanino, o grande responsável pela longevidade do vinho. E à medida que o tempo passa, vai perdendo o seu característico frescor. Por isso, o tempo máximo de guarda se situa em torno de dois anos.

Isso o torna um vinho “menor”?

O rosé realmente não pode ser comparado aos melhores brancos e tintos. Mas há produtores sérios que colocam sua marca pessoal nesses vinhos, tornando o ato de bebê-los muito prazeroso. É certo também que o momento influencia muito: se você está em boa companhia no deque de um restaurante de praia, comendo peixes grelhados e frutos do mar, o rosé vai completar a cena.

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Sugestões da Expand pra você:

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Vega Bravía Rosado 2007

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Descrição: Coloração rosada, no nariz apresenta aromas intensos como frutas vermelhas , framboesas e morangos . Na boca é muito fresco sedoso e equilibrado com um amplo retrogosto.

Harmonização: Como aperitivo , entradas leves , peixes sem gordura.

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Tavel 2006

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Descrição: Cor salmão rosado , no nariz elegantes notas florais e de frutas.No paladar é frutado com boa estrutura e aromático.

Harmonização: Acompanha entradas variadas , peixes , embutidos e carnes brancas grelhadas.

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Tenuta Belguardo Rosé 2010

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Descrição: De cor rosada com nuances de cereja, tem aromas de pétalas de rosa e frutas maduras. Em boca é equilibrado, e devido ao curto período em madeira, possui estrutura e complexidade.

Harmonização: Acompanha frutos do mar , peixes , carnes brancas com molhos condimentados e risotos leves.

Artigo original: Algumas Razões Para Encarar O Rosé de Expand publicado [dia March 07, 2012 at 05:45PM] em .

Republicado por Eno Gastronomo

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