Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Borgonhas (Revista Adega) de Luiz Cola em Vinhos e Mais Vinhos

Primeira fotogarfia publicada no artigo Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Borgonhas (Revista Adega)Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Borgonhas (Revista Adega)
de Luiz Cola publicado em Vinhos e Mais Vinhos

Se houvesse disponibilidade de garrafas e, principalmente, de recursos financeiros, todos os enófilos mais aficionados e grandes colecionadores adorariam ter em sua adega pessoal os maiores ícones da vitivinicultura mundial. Sendo assim, o editor Luiz Gastão Bolonhez, da revista Adega, elaborou uma lista irretocável que explica por quê estes são os vinhos realmente colecionáveis, ou seja, que podem ser adegados por longo tempo e, habitualmente, tornarem-se ainda melhores.
Nesta 1ª parte, alguns do mais raros e desejados deles, os grandes clássicos da Borgonha, na França:
Romanée-Conti
Número um dos tintos colecionáveis no mundo. Sua procura cresce a cada safra. Essa joia da Borgonha está acima de tudo, até de avaliações ruins. Além do 1985, que é unanimidade em termos de procura, as safras mais recentes de 1990, 1996, 1999, 2002, 2004, 2005 e 2009 são excepcionais. Para se ter uma ideia de preço, é difícil, nos Estados Unidos, encontrar uma garrafa dessas safras por menos de US$ 10 mil.
Um vinho que tem uma aura incrível. Já tivemos a oportunidade de visitar a Domaine de la Romanée-Conti (DRC) duas vezes. Seu vinho top, o Romanée-Conti é sempre excelente. Em uma das visitas provamos o 1975, uma safra difícil na Borgonha, mas o vinho é impecável, firme e com muita complexidade. O 1996 é talvez o melhor de todos os provados. Um vinho com estrutura para continuar evoluindo em garrafa por muitas décadas. Vale ressaltar que em 2004 não tivemos um grande ano na Côte de Nuits, mas o Romanée-Conti brilhou sobremaneira. Tanto 2005 quanto 2009 despontam como sombras dos impecáveis 1985, 1990 e 1996.
DRC La Tache, Richebourg e Montrachet
Além do “sagrado” Romanée-Conti, a Domaine de la Romanée-Conti produz outros sete vinhos, sendo três deles, os tintos La Tache e Richebourg, seguidos do branco Montrachet, também colecionáveis.
O La Tache é talvez o mais sensual vinho da DRC e é mais curinga que o Romanée-Conti. A razão para isso é ele ser sempre mais “forward”, ou seja, fica mais pronto que o top da casa. O La Tache 1996 é seguramente um dos vinhos mais impressionantes já provados. O 1997, de safra também pouco reluzente na região, é um primor de vinho. Degustado quatro anos atrás, mostrava um perfume extraordinário de frutas vermelhas mescladas com toques de carvalho, formando um buquê delicioso. Dos mais antigos, o 1976 é uma joia. Um tinto que, às cegas, derrotou todos os vinhos da DRC dessa safra.
O Montrachet, um Chardonnay 100%, é o mais imponente e disputado vinho branco seco do mundo, de extrema longevidade, podendo ser envelhecido por 20 anos ou mais. É um vinho que sempre rouba a cena, mesmo com tintos ao seu redor, incluindo o Romanée-Conti. Isso aconteceu na visita do proprietário da casa, Aubert de Villaine, ao Brasil, no lançamento da safra 1998. Todos os tintos dessa safra foram apresentados e, ao final, provamos o DRC Montrachet 1983. Um momento inesquecível, pois foi o vinho mais espetacular da noite. As uvas nesse Grand Cru na safra 1983 tiveram ataque de Botrytis, o que concedeu ao vinho uma característica única. Além do 1983, merecem destaque 1969, 1974, 1990 e, por último, 2000, o que mais perto chegou de 1983.
Outros colecionáveis da Borgonha
Tintos
Domaine Leroy – Romanée Saint Vivant
Os biodinâmicos de Leroy fazem vinhos em nove vinhedos Grand Cru na Borgonha. Destaca-se seu Romanée Saint Vivant (observe com carinho a safra 2002).
Domaine Comté Georges de Vogué Musigny
São mais de 500 anos de história desse Domaine nas mãos de uma mesma família, que hoje está na 20a geração. Ele é certamente o maior nome da região de Chambolle. Seu Musigny vive sendo aclamado no mundo todo pela crítica. A safra 1990 foi especial.
Domaine Méo-Camuzet Richebourg e Clos de Vougeot
Étienne Camuzet, parlamentar francês e fundador da casa, começou a selecionar grandes vinhedos, incluindo Clos de Vougeot (do qual foi o último proprietário do Château, antes de doá-lo a Confrérie des Chevaliers du Tastevin). O Domaine produz vinhos grandiosos como Richebourg (olho na safra 1990) e Clos de Vougeot (especiais anos em 2004, 2005 e 2006).
Domaine Dujac Clos de la Roche (1996 e 1999)
Georges Roumier Bonnes Mares (1996 e 2005)
Armand Rousseau Chambertin (1996, 1997 e 1999)
Dominique Laurent Clos de Vougeot (1999) e Échezeaux (2008)
Denis Mortet Chambertin (2006)
Brancos
Domaine Leflaive Chevalier-Montrachet (1997) e Batard-Montrachet (1995)
Domaine Drouhin Montrachet (2003)
Domaine Comté Georges de Vogué Blanc (2006)
Philippe Pacalet Mersault (2007) e Corton-Charlemagne (2010)
Domaine Bonneau du Martray Corton-Charlemagne (1997 e 2003)
Na sequência, os grandes vinhos de Bordeaux…

Artigo original: Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Borgonhas (Revista Adega) de Luiz Cola publicado [dia July 26, 2012 at 11:35PM] em .

Republicado por Eno Gastronomo

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