Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Bordeaux (Revista Adega) de Luiz Cola em Vinhos e Mais Vinhos

Primeira fotogarfia publicada no artigo Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Bordeaux (Revista Adega)Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Bordeaux (Revista Adega)
de Luiz Cola publicado em Vinhos e Mais Vinhos

Se houvesse disponibilidade de garrafas e, principalmente, de recursos financeiros, todos os enófilos mais aficionados e grandes colecionadores adorariam ter em sua adega pessoal os maiores ícones da vitivinicultura mundial. Sendo assim, o editor Luiz Gastão Bolonhez, da revista Adega, elaborou uma lista irretocável que explica por quê estes são os vinhos realmente colecionáveis, ou seja, que podem ser adegados por longo tempo e, habitualmente, tornarem-se ainda melhores.

Nesta 2ª parte, alguns dos mais famosos châteaux do mundo, os grandes tintos de Bordeaux, na França:
Bordeaux (margem direita: Saint-Emilion e Pomerol)

Petrus

É do vilarejo de Pomerol, o maior rival do Romanée-Conti quando se trata de procura, preço, charme e requinte. O Petrus, diferentemente de muitos outros bordaleses que são produzidos há mais de 200 anos, nasceu no final século XIX. Ele é feito, quase sempre, a partir de 100% da uva Merlot e é, sem dúvida, um dos tintos mais longevos do mundo. Para se ter uma ideia, o 1970, em 2002 (quando o provamos), ainda não estava pronto.
Nos leilões tanto da Sotheby’s quanto da Christie’s, os Petrus estão sempre entre os mais disputados. As safras de 1921, 1929 e 1945 são raríssimas e restam pouquíssimas garrafas no mundo. As safras mais recentes como 1982, 1985, 1989, 1990, 1995, 1998, 2000, 2003, 2005, 2008 e 2009 estão entre as mais afamadas e desejadas por colecionadores. O preço básico de lançamento da extraordinária safra 2009 superou US$ 5 mil no mercado americano.
Outros colecionáveis da margem direita

Château Ausone
Os vinhos do outro Premier Grand Cru Classé “A” de SaintÉmilion ao lado do Cheval Blanc sempre devem estar em foco. 1982 e 1990 foram grandes safras.
Château Cheval Blanc
Seu vinho 1947 é considerado uma lenda. Cheval Blanc reúne força e elegância. Pierre Lurton, que também é responsável pelo Château d’Yquem, está por trás de seus vinhos. Safras 1982, 1983, 1990, 1995 e 2000 são especiais.
Château Angélus
Grandes safras: 1985, 1989, 1995 e 2009. Seu vinho 2009 foi o campeão da prova de 80 tintos degustados em meados deste ano durante a visita da Union des Grands Cru de Bordeaux ao Brasil, para lançamento da safra.
Le Pin
O mais Garage Wine de todos. 100% Merlot. Atinge preços estratosféricos. Safras de destaque: 1982 e 1985.
Château Pavie
Um Château que passou por controvérsias após aquisição de Gérard Perse em 1998, recebendo excelentes pontuações de Parker. Possui, junto com Ausone, um dos vinhedos mais antigos de Saint-Émilion. Olho nas safras 1990 e 2005.

Margem esquerda

Os cinco Premier Cru: Château Mouton Rothschild, Château Lafite-Rothschild, Château Latour, Château Margaux e Château Haut-Brion
Na margem esquerda estão os cinco grandes vinhos denominados Premier Grand Cru Classé da classificação de 1855. São eles o Mouton e Lafite Rothschild, Margaux e Latour, do Médoc, e o Haut-Brion, de Pessac-Léognan. Todos esses tintos são produzidos a partir da casta Cabernet Sauvignon (sempre predominante) com quantidades importantes de Merlot, Cabernet Franc e, em alguns casos, pequenas quantias de Petit Verdot.

Esse quinteto é quem manda em leilões de vinhos ao redor do mundo. Por sua tradição, requinte e qualidade, são vinhos fabulosos e que todo o colecionador quer ter ao menos uma garrafa. Justamente pela procura, a qualidade da safra influencia muito no preço. Escolher uma boa safra é importante, principalmente com relação à longevidade. Vale ressaltar que esses vinhos nunca são médios, são sempre excelentes, pois, se não forem, não são engarrafados por seus produtores em safras não destacadas.

Safras especiais
Margaux 1982, 1983, 1986, 1990 (uma das maiores joias que Bordeaux já viu), 1993 e 2000 (o mais aromático tinto bordalês já degustado).
Latour 1945, 1961, 1990 e 2000 (o melhor Premier Grand Cru Classé da monumental safra de 2000).
Mouton Rothschild 1945, 1959, 1982, 1988, 1995 e 1996 (o melhor Mouton dos últimos 40 anos).
Lafite 1982, 1985, 1990, 1996 e 2000 (sólido, firme e com o estilo Lafite de ser).
Haut-Brion 1961, 1985 (foi provado em abril de 2012 – um dos mais especiais já degustados – pronto para ser apreciado) e 1989.

Outros colecionáveis da margem esquerda

Château Montrose
O Montrose 1982 foi o grande campeão de uma vertical com oito vinhos desse Château. Um primor de tinto, com taninos impecavelmente integrados. Pronto para consumo. Safras 1982, 1989, 1990, 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005.

Château Cos d’Estournel
O melhor Cos d’Estournel da história é o 2009. Um tinto de extrema força, mas com uma elegância e uma fruta diferenciados. Seu rival é o Cos 2000. Safras 1985, 1986, 1990, 1995, 1996, 2000, 2003, 2005 e 2009.

Château Pichon-Longueville Comtesse de Lalande
Uma das maiores personagens de sempre do mundo do vinho, Madame May Eliane de Lencquesaing, ex-proprietária desse Château – recentemente vendido para a família Roederer de Champagne – esteve no Brasil para um vertical de seis Pichon Lalande e, na ocasião, os destaques foram os celebres 1985 e 1986. Dois vinhos inesquecíveis, ao lado dos também fabulosos 1982 e 1995. Safras 1982, 1985, 1996, 1995, 2000, 2005 e 2009.

Château Pichon-Longueville Baron
Talvez o mais subestimado Château de Pauillac. Seus vinhos são sempre espetaculares e com preços mais competitivos que os rivais. O 1989 é um dos mais extraordinários já provados de Bordeaux. É, sem dúvida, o melhor de todos, incluindo os Premier Grand Cru Classé dessa espetacular safra. O 1995 é sensacional e o 2009 superou o “irmão” Pichon Lalande em horizontal realizada no Brasil em meados de 2012, na visita da Union des Grands Crus de Bordeaux. Safras 1982, 1989, 1995, 1999, 2000, 2005 e 2009.

Château Ducru-Beaucaillou
Um clássico Saint-Julien. Talvez o mais regular e constante dessa DOC. São vinhos impecáveis, que tiveram um salto de qualidade na década de 1990. Os mais extraordinários são 1995 e 1996. Safras 1982, 1988, 1990, 1995, 1996, 2003 e 2005.

Château Leoville Las Cases
O mais prestigiado, procurado, caro e raro dos Deuxièmes Crus de Bordeaux (candidato a ser um Premier Grand Cru Classé). São vinhos muito profundos e, na maioria das vezes, demoram muito tempo para mostrar todo seu potencial. Para quem aprecia vinhos de longa guarda, é uma dica. Um show, mesmo em safras difíceis. O 1990 degustado recentemente ainda não está pronto. O 1988 e 1999, de safras mais difíceis, são verdadeiros achados. Safras 1982, 1988, 1990, 1996, 1999, 2000, 2003 e 2005.

Château Léoville-Poyferré
Especial vinho de Saint-Julien. Preços muito mais módicos que o “irmão” Las Cases. Fica sempre pronto antes. O 1990 é inesquecível. As safras do novo milênio estão reluzentes. Tente o 2004, degustado recentemente. Um grande tinto para longa guarda. Uma surpresa. Safras 1982, 1990, 2000, 2003, 2004 e 2005.

Château Smith-Haut-Lafitte
Um tinto fabuloso. Vem melhorando ano a ano e o 2009 é, sem dúvida, o melhor de sempre. Um vinho para comprar duas caixas e degustar uma garrafa por ano nos próximos 24 anos. Safras 1998, 2000, 2004, 2005 e 2009.

Château Haut-Bailly
Um Graves de renome. Mais um que brilhou em 2009. Vale a pena pelo extrato de fruta e equilíbrio. Inesquecível e para longa guarda. Talvez o melhor custo-benefício de toda a região de Pessac-Léognan. Safras 1990, 1996, 2000, 2003, 2005 e 2009.

Château La Mission Haut-Brion
Compete de igual para igual com o glorioso Haut-Brion. Os proprietários são os mesmos. O 1971 foi um dos mais marcantes Bordeaux com mais de 30 anos já provados. Um primor de vinho. O 1989 é o maior rival do Pichon Baron como o melhor dessa extraordinária safra na região. Vinhos impecavelmente produzidos e que ficam prontos sempre antes do Haut-Brion. Safras 1971, 1989, 1990, 1995, 2000, 2005.

Artigo original: Os vinhos que todo enófilo gostaria de beber e colecionar: Bordeaux (Revista Adega) de Luiz Cola publicado [dia July 29, 2012 at 10:19PM] em .

Republicado por Eno Gastronomo

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