Grandes vinhos no 3º Del Maipo Tasting de Rodrigo Leitão em Gourmet Brasilia

Primeira fotogarfia publicada no artigo Grandes vinhos no 3º Del Maipo TastingGrandes vinhos no 3º Del Maipo Tasting
de Rodrigo Leitão publicado em Gourmet Brasilia

Experimentei grandes vinhos na terceira edição do Del Maipo Tasting, realizada no último dia 28, sábado, no mezanino da churrascaria Fogo de Chão, aqui em Brasília. Este evento é um recorte importante da Expovinis, já que a Del Maipo está entre as dez maiores importadoras do Brasil, é a maior de vinhos espanhóis e trouxe para Brasília mais de 300 rótulos de 35 marcas, com 20 enólogos e produtores. Alguns, que destaquei na Expovinis, como o português Maçanita com sua linha Sexy (foto), vieram a Brasília pela segunda vez. O evento foi um sucesso de público e entre profissionais do setor. Estavam lá os principais sommeliers da cidade, tanto de cursos, faculdades de gastronomia, quanto de restaurantes e distribuidoras de bebidas.

Vou começar meu giro pelos rosés. Vários deles me chamaram atenção, mas um, em especial, me encantou: Saint Sidoine Élite 2010 (foto). Vinho da Provence, a terra dos rosés! Esse vinho é feito de três uvas: grenache, cinsault e rolle. Esta última é praticamente desconhecida no Brasil, uma uva branca, autóctone do sul da França, que muitos consideram ser a mesma vermentino cultivada na Sardanha, Itália. Esse assemblage é diferente da maioria dos rosés da Provence. O Saint Sidoine Élite Segue uma mistura mais comum na vizinha região do Languedoc-Roussilon, onde a uva grenache branca é misturada com a rolle e a tinta cinsault, também chamada de hermitage. A entrada da uva rolle neste assemblage muda a característrica de um rosé tradicional. A rolle é uma uva branca, usada para dar um caráter forte aos vinhos no Languedoc- Roussillon e da Provence. Usada na composição de um rosé, ela garante mais acidez e estrutura a bebida, além de aromas florais acentuados pela grenache. Já a cinsalut, base do fenomenal Château Musar libanês, puxa a cor desse vinho levemente rosado, muito refrescante e excelente para o fim de tarde.

Yllera Dominiun 2004 Gran Seleccíon é outro grande vinho, desta vez tinto, que os brasilienses já podem encomendar nas lojas da Brilho Delicatenssen (Feira dos Importados e Gilberto Salomão), além do Mercado Municipal, os endereços de varejo da Del Maipo. 100% tempranillo, produzido a partir de vinhas velhas centenárias, esse vinho é feito na região de Castilla y León. Tem 14% de álcool, passa 16 meses em barris de carvalho francês. Foi considerado o melhor vinho espanhol em 2008. É um vinho com taninos firmes, mas não enjoativos. Travam a boca por pouco tempo. Prevalece uma acidez bem equilibrada, quando as frutas maduras (ameixa e amora) se pronunciam mais. É um vinho muito elegante, aveludado, que combina com ensopados de carne, pernil, picanha, maminha e costela, além de queijos fortes. No final, o tempo de passagem por madeira sugere baunilha e especiarias.
San Silvestro Barolo Patres 2007. Este vinho está entre os cinco mil vinhos mais populares do mundo, na cotação de 2010, pelo Wine Searcher, que é o maior buscador de vinhos da internet. Já está à venda em Brasília, nas lojas da Brilho. Numa degustação às cegas, promovida por blogueiros italianos, o Patres 2007 ficou entre os dez melhores barolos. Feito 100% de nebbiolo, a uva típica do Piemonte que batiza os barolos, esse vinho é bem estruturado, com acidez média para baixa, e revela, além das tradicionais rosas e alcatrão características desta cepa, muita fruta (morango, cereja, framboesa e uma lembrança sutil de laranja!). Ainda jovem, traz uma cor rubi transparente e no final revela anis adocicado. Os taninos leves mostram que a passagem por madeira não dominou o vinho. É possível sentir ainda especiarias e gengibre. Excelente com presunto de Parma.
Os alemães produzem vinhos brancos há 760 anos. Riesling é uma marca registrada dos germânicos. O “capacete da cavalaria”, tradução para o Elmo de Russardo, que em alemão se diz Husarenkappe, é o nome desse explêndido vinho produzido na região de Baden, pela família Ravensburg. Eu já havia provado o Husarenkappe GG Riesling 2009 na Expovinis, mas voltei imediatamente a ele quando cheguei à Fogo de Chão, para abrir os trabalhos no Del Maipo Tasting 2012. Esse o Husarenkappe GG Riesling 2009 é o melhor riesling que já experimentei. Seco, mas ligeiramente doce, é uma ótima companhia para a culinária baiana e a cozinha asiática de forma generalizada. Um grand cru VDP com todas as propriedades dessa classificação. Extremamente aromático, mineral e floral, o Husarenkappe revela maçã verde, pêra, damasco, rosas brancas e flor de laranjeira, além de uma sutil gasolina, marca registrada da mineralidade desse vinho.
Ainda entre os alemães, três outros vinhos, dois deles grand crus, merecem destaque. Já à venda em Brasília, vale experimentar os pinot noir Löchle GG Spätburgunder 2008 (grand cru) e Burg Ravensburg Pinot Noir Dry 2009, além do fantástico Dicker Franz Lemberger 2008. O Löchle Spätburgunder (o nome da pinot noir na Alemanha) é um vinho com jeitão de francês. Mas peca pela passagem por madeira, o que faz perder as características frutadas da uva borgonhesa. Mesmo assim, embora tenha perdido aromas autênticos, é a prova viva de uma grande aposta alemã para se fixar no mundo como um dos maiores produtores de pinot noir do mundo. Hoje, os cem produtores da uva francesa em solo germânico, já se posicionam na briga com o chile pela terceira colocação no ranking internacional de produção da pinot (França e Nova Zelândia lideram a lista). Segundo os especialistas europeus, em cinco ou seis anos os top alemães estarão no nível dos premier crus da Borgonha.

Se você é tradicionalista e não aceita nenhuma manipulação sobre a pinot noir, no caso dos vinhos alemães, vale conferir o Burg Ravensburg Pinot Noir Dry 2009. Esse vinho que já está à venda em Brasília, pela Del Maipo, nas lojas da Brilho Delicatessen e no Mercado MUnicipal. A grande surpresa deste vinho é que ele também passou por madeira, 9 meses, três a menos que o grand cru. Só que no caso do do Dry 2009, não se percebe o carvalho francês. Se você quiser levar para a mesa, é uma ótima companhia para um filé.

A grande surpresa da mostra alemã dentro do Del Maipo Tasting é o Dicker Franz Lemberger. A safra 2008 foi considerada o segundo melhor vinho tinto alemão, em 2009. A lemberger é uma uva autóctone da região de Baden, na Alemanha. Sem passagem por madeira, lembra a beaujoilai. Depois das barricas de carvalho francês, vira parente da merlot. Essa uva no vinho grand cru faz o Dicker Franz 2008 ser uma boa companhia para um pescados com molhor forte e temperos orientais. Mas é ideal mesmo para companhar um carré de cordeiro. Um vinho com acidez pronunciada, taninos macios e corpo surpreendente. Estruturado, com 13,5% de álcool por litro, está pronto para encarar o mercado mundial.
Pra encerrar, vinho de sobremesa. Vinho do gelo, que alemães fazem como ninguém. Riesling botrytisada, Weingärtner Brackemheim Riesling Eiswein 2008. Aqui estamos falando, obviamente, de um vinho branco doce, para sobremesas. Dizem que esse tipo de vinho surgiu por caso, depois de uma queda brusca de temperatura, que acabou congelando as uvas. Praticamente todos os produtores abandonaram, as plantações. Uns poucos desbravadores resolveram apostar na safra congelada e prensaram as uvas. O resultado foi um grande vinho doce. Isso ocorreu porque ao serem congeladas, as uvas concentraram açúcar e, ao serem prensadas, as gotículas de água armazenadas provocam um aumento de acidez, já que não diluem o suco da uva. Depois que descobriram isso, os produtores passaram a usar a riesling, deixando a uva por mais tempo nas parreiras, esperando os meses de novembro e dezembro, quando as temperaturas caem facilmente a oito graus negativos. São vinhos caros, porque o processo é todo manual e o investimento arriscado, porque depende muito do clima. Por ter um excelente equilíbrio entre o doce e a acidez, os eisweins tornam-se um vinho especial, que não enjoa. Foi minha última prova da noite. Saí de lá com sabores de pêssegos maduros, ameixas amarelas e doces amanteigados.

Artigo original: Grandes vinhos no 3º Del Maipo Tasting de Rodrigo Leitão publicado [dia April 30, 2012 at 05:01AM] em .

Republicado por Eno Gastronomo

Anúncios