Le Médoc de Marcelo Andrade em Vinho por Marcelo Andrade

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de Marcelo Andrade publicado em Vinho por Marcelo Andrade

Por Carlos Teles

Região outrora pantanosa, pouco habitada, bastante inóspita e principalmente de solo bem medíocre,conjunto de predicados que deram origem ao nome de Medoc, que significa “Terre Médiane”. Essa península triangular localizada a noroeste da cidade de Bordeaux, viu a produção de vinho aparecer em meados do século XVI, tardiamente se comparada com outras regiões. Já na idade média se fazia vinho no lugar, porém em pequenas quantidades e sempre ao redor dos monastérios, mais tarde a produção se espalhou para o sul na direção de Blanquefort, ludon, Le Taillan e outras localidades. Progressivamente os vinhedos foram ganhando terreno para o norte e por todo século XVI chegaram até Margaux e arredores. No século XVII, sobreveio uma grande expansão, quando engenheiros, com técnicas trazidas da Holanda, contiveram as marés, drenaram as enseadas e corrigiram o litoral. Os holandeses retificaram igualmente os cursos de inúmeros riachos e canais que percorriam a região. Durante muito tempo, o norte do Medoc foi conhecido como a “Pequena Holanda”

O Medoc, tendo sido drenado, mostrou um ambiente bastante favorável, dando origem a novos vinhedos que foram rapidamente plantados, novas fronteiras vinícolas foram expandidas. No princípio  do século XVIII, quase todas as vinícolas e o comércio de vinho, estavam nas mãos da aristocracia de Bordeaux, que fez a fama  dos vinhos do lugar, chegar  à próspera e rica Inglaterra, onde a bebida rapidamente dominou o mercado. O primeiro “French Claret”, como eram conhecidos os bordeaux em Londres, foi o “Haut Brion”, proveniente de Grave. No entanto, não tardou muito até que os nomes Lafite e Latour,  escapassem do domínio da aristocracia, se democratizando e caindo no gosto, não só da burguesia francesa como também da inglesa. Os vinhedos tiveram um crescimento tão grande que até mesmo os campos de cereais deram lugar às  vinhas.

À doçura do clima se junta um solo, que apresenta, em muitos lugares, uma camada abundante de cascalho. Desde a era terciária esses cascalhos não pararam de descer dos Pirineus e do Maciço  Central, são de natureza complexa e em perpétua evolução. O solo propriamente dito é geralmente pobre, forçando as cepas a lançar suas raízes nas camadas profundas do subsolo, para se alimentar, de maneira que  o vinho seja um reflexo da complexidade do solo. A grande proporção de cascalhos apresenta a vantagem de excelente drenagem. As encostas suaves também oferecem a inúmeros viticultores tais privilégio. Segundo um ditado, não se para de admirar  o rio Gironde enquanto se percorre as melhores vinhas.

A diferença de solo, de terreno, de exposição, cada vinha do Medoc produz seu próprio vinho. Pode existir mesmo enormes e surpreendentes  diferenças entre vinhos de propriedades vizinhas. A escolha e a utilização das cepas, acentuam ainda mais essas diferenças. Cada viticultor escolhe, em seu trabalho, a proporção de cada cepa a ser plantada, se cabernet sauvignon, cabernet franc ou merlot, as três pricipais e de petit verdot ou de malbec, cultivadas na medida certa.

Pratica-se a vinicultara em uma faixa pequena da península medocaina, uma banda relativamente estreita de 70 a 80 kilômetros de extensão, margeando o rio Gironde, incluindo as primeiras plantações dos subúrbios de Bordeaux até os arredores da extremidade norte da península. Não existe lugar que a vinha penetre  mais de 12 kilômetros, partindo das margens do Gironde; na realidade essa distância é inferior a 5 kilômetros. Aí se encontram oito apelações: Margaux fica com a maior extensão, englobando as comunas do Medoc Meridiona, que são: Arsac, Cantenac, Labarde e Soussans. No Medoc Central encontram-se Moulis e Listrac, mais as comunas que não se enquadram nas seis citadas anteriormente, que são: Saint-Julien, Pauillac, Saint-Estèphe, Haut-Medoc e por último temos o Medoc Setentrional  ou Baixo-Medoc. A afamada classificação de 1855, repartiu o Medoc em cinco categorias distintas, os chateaux, que vão da 1ª à 5ª categiria ( Premiers Crus à Cinquième Crus). Mencionarei aqui somente os vinhos que compõem a primeira categoria e seus lugares de origem, que são: Haut Brion, Pessac, Graves; Margaux, Margaux; Latour, Pauillac; Lafite-Rothschild, Pauillac e Mouton-Rothschild, Pauillac. Esse último se tornou 1º Crus somente em 1973.

Bibliografia: Vários livros, incluindo La France dês Vins ET Vignobles de Hugh Johnson e Hubrecht Duikler, sendo esse o mais acessado.

 

Fotos: Divulgação.

Artigo original: Le Médoc de Marcelo Andrade publicado [dia August 30, 2012 at 02:29AM] em .

Republicado por Eno Gastronomo

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