Encontro de vinhos em Campinas de Rodrigo em Sobre vinho…

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de Rodrigo publicado em Sobre vinho…

O primeiro Encontro de Vinhos de Campinas contou com exposições de produtores brasileiros, vários importadores de nicho (um da Áustria, um da Espanha, e dois da França), grandes importadores, e até mesmo uma produtora espanhola, a Ferratus, que veio apresentar seus vinhos ao mercado brasileiro.

Com uma câmera fotográfica chamativa pendurada ao pescoço, um bloco de notas para registrar minhas impressões, e fazendo muitas perguntas, fui até tomado por jornalista! Passei 4 horas no evento, aprendendo muito, e provando diversos vinhos que de outra forma eu não teria a oportunidade de provar. Eu não visitei todos os expositores, pois com os que conheci, já obtive um mundo de informação (e álcool) para processar. Os outros, visitarei ano que vem. Abaixo seguem minhas impressões:

Pericó

Espumantes são uma boa opção para aperitivos, e para limpar o paladar. E como o forte do Brasil são os espumantes, resolvi começar por um produtor brasileiro. Fui à mesa da Pericó, produtora da serra catarinense, provar seus espumantes rosés brut e demi-sec. O brut é o premiado, mas eu prefiro o demi-sec.
A Pericó foi a primeira vinícola a conseguir produzir no Brasil o vinho de sobremesa no estilo eiswein (ou ice wine). Para isso, é necessário que as uvas congelem no pé, abaixo de -7°C. Eles até levaram uma garrafa para marketing, mas infelizmente não estava disponível para degustação.

ChezFrance

De capital franco-brasileiro, a importadora só trás rótulos exclusivos de pequenos produtores. Guillaume, o representante na feira, me apresentou em sotaque francês os vinhos, dentre os quais, o rosé Domaine de Saint Ser 2010, da Provence. É o que se pode esperar de um típico rosé do país: refrescante e elegante.
Em seguida, provei um Appéllation Bourgogne Aligoté controlée, do Domaine Taupenot-Merme, e um Chardonnay do Domaine Glantenet, ambos de 2009 da Borgonha. São dois vinhos brancos de aromas complexos – com os minerais se destacando sobre os florais e frutados – muito mais interessantes que os brancos típicos do novo mundo.
Entre os tintos, provei o La Verrerie Esprit Bastide 2007, do Rhône; e o Domaine La Bonnelière, do Vale do Loire. Dos dois, me agradou o primeiro.

Vinhos da Áustria

Não é fácil encontrar vinhos austríacos no país. Um grupo de amigos encontrou um nicho de mercado, e criou uma importadora, com marca registrada no Brasil como Vinhos da Áustria, e começou a trabalhar com exclusividade com os vinhos do país. Lucila e Maurício representaram a importadora na feira, apresentando rótulos brancos e tintos.

Vinhos da Áustria

Dentre os vinhos degustados, todos biodinâmicos, pudemos conhecer algumas castas típicas do país. A branca Grüner Veltliner compõe o vinho Loimer Terrassen Reserve 2009, com alta acidez e paladar semi-seco, mesmo que, de acordo com o Maurício, a concentração de açúcar fosse de apenas 1,1 g/L. Já a uva tinta Blaufränkisch foi representada pelo Prieler Leithaberg 2008. Lucila me explicou que este último envelheceu em carvalho austríaco, que não necessita tosta para se envergar as ripas e montar os tonéis, de 5000L. Como não há tosta, os aromas de café e chocolate conferidos pela madeira se tornaram mais evidentes.
Também com uvas francesas, trabalham os austríacos. A importadora trouxe da vinícola Wenzel o branco Gelber Muskateller 2009 (da uva conhecida na França como Muscat blanc à petit grains), e o Rusterberg 2007, um belo exemplar de Pinot Noir.

La Cave Jado

Outra importadora trabalhando exclusivamente com vinhos franceses, estava representada pelo Sr. Jean Raquin, com sotaque francês, por Diego ‘Raquin’, com sotaque 100% brasileiro. Diego me explicou que seu sobrenome, na realidade, é Vieira, mas a organização se equivocou na elaboração de seu crachá.
Comecei provando os brancos, um Chateau Lamothe 2010, que estava sendo lançado durante a feira; e um L’ombre Fraiche 2010 (Muscadelle, Loin de L’oeil e Mauzac – as duas últimas, raras, mas obrigatórias na AOC Gaillac). Ambos parecidos, de aromas muito adocicados para o meu gosto.
Mas se na primeira importadora francesa me impressionaram os brancos, nesta, um tinto foi o destaque. O Borgonha Domaine Nudant 2009, apresentava um aroma mais austero, mas no paladar, revelou uma muito agradável harmonia de frutas vermelhas e madeira. Também os Cuvée Syrah e Champs du Coq do Domaine La Croix Belle são aromáticos, e saborosos.

(continua…)

Vinhos da Borgonha

Artigo original: Encontro de vinhos em Campinas de Rodrigo publicado [dia June 24, 2012 at 03:00AM] em .

Republicado por Eno Gastronomo

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